sexta-feira, 20 de março de 2026

DURANTE A II GUERRA MUNDIAL| o que tem uma Sapataria do Chiado a ver com o Banco de Portugal ?

 


Excerto do artigo de Alexandra Machado

«(...) O Banco de Portugal temia que um bombardeamento destruísse as suas reservas, colocando em causa a economia nacional. Era preciso ter um sítio seguro, secreto, para garantir a sobrevivência financeira do país. “Um local escondido à vista de todos”, conta a instituição financeira num vídeo divulgado na visita virtual ao arquivo, lançada esta quinta-feira, 19 de março. Cláudia Pinto, uma das cinco pessoas que trabalham no arquivo do Banco de Portugal, guia-nos por essa história. Durante meses, uma loja — a Sapataria Atlas que estava junto da companhia ferroviária dos Wagons-Lits, perto da Joalharia do Carmo e da Luvaria Ulisses — na Rua do Carmo, em Lisboa, foi tornada cofre subterrâneo, com paredes reforçadas, e no qual, no Chiado, o Banco de Portugal “escondeu milhões de notas prontas a emitir, papel-moeda, maquinaria para o fabrico de notas e o arquivo considerado essencial para a continuidade da sua atividade”. A Sapataria Alves sofreu obras de remodelação que nem a Câmara Municipal de Lisboa sabia a razão. “Um mês e três toneladas de ferro depois, a insuspeita Sapataria Atlas transformar-se-ia numa das mais importantes casas-fortes do Banco de Portugal”, lê-se nos arquivos do Banco de Portugal que, no entanto, não conseguiu contabilizar o montante que aí foi escondido, mas assumindo que tinha capacidade para 18 milhões de notas. “Até à data não foi encontrada informação adicional no arquivo. Compreensivelmente era um assunto de algum segredo, pelo que não deve ter ficado muito registo”, diz ao Observador fonte oficial do banco central, assumindo a instituição que “existem ainda poucas evidências acerca das circunstâncias que levaram o Banco, em plena Segunda Guerra Mundial, a arrendar o 87 D da Rua do Carmo”. A loja era a “reserva secreta” que garantiria a continuidade do país em caso de bombardeamento, imaginando-se, então, que as ruínas do Convento do Carmo cairiam em cima do imóvel e, assim, os escombros salvariam o “tesouro”. Não aconteceu. O Banco de Portugal continuou a gerir a loja, que lhe tinha sido cedida pelo Estado para esse efeito a 13 de abril de 1944, por mais 15 anos, até 21 de julho de 1978. ? A loja que serviu de caixa-forte do Banco de Portugal na Segunda Guerra Mundial Hoje a caixa-forte do Banco de Portugal está no Carregado, onde foi instalada em 1999. E o 87 D da Rua do Carmo alberga uma loja de decoração. Esta é uma das histórias que se “escondem” no arquivo do Banco de Portugal, um arquivo que pode ser consultado por quem o solicitar e que também tem uma porta digital. A partir desta quinta-feira tem uma visita virtual. 180 anos de História e muitas histórias A visita ao arquivo permite-nos encontrar a história do banco central, mas muitas outras se escondem nos volumes guardados pelo Banco de Portugal, organismo criado por decreto régio a 19 de novembro de 1846, faz este ano 180 anos. Foi nesse decreto que se fusionou o Banco de Lisboa e a Companhia Confiança Nacional. Nascia o Banco de Portugal com o privilégio de emitir notas, que até então era da responsabilidade do Banco de Lisboa, que, em contrapartida, emprestou ao Estado dois mil contos de réis para amortizar o papel-moeda em circulação. Portugal vivia, no entanto, em 1846 momentos conturbados. As revoltas liberais contra o Governo autoritário de Costa Cabral acabariam por fazer cair o Governo, queda embalada pela revolta da Maria da Fonte. Assumiu o Executivo o Duque de Palmela, mas após um golpe de estado palaciano, a “Emboscada” da rainha D. Maria II, também esse governo caiu. Durante este período quem detinha notas correu a trocá-las por prata, até que a rainha suspende o reembolso das notas. Iniciava-se a guerra civil designada Patuleia, que agrava a situação. Além de divisivas, estas disputas eram onerosas e o Estado não conseguiu cumprir com os empréstimos feitos. A crise financeira levou, então, à fusão do Banco de Lisboa (constituído a 7 de junho de 1824) e da Companhia Confiança Nacional (criada a 25 de setembro de 1844) — a história de ambos está no arquivo do Banco de Portugal, em 35 volumes. Criou-se o Banco de Portugal que, até 1887, partilhava a emissão de notas com outras entidades. Só em 1888 se tornou o único emissor. (...)».

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«Na visita virtual, é possível explorar os depósitos do Arquivo Histórico do Banco de Portugal, conhecer espaços relacionados com a sua história, descobrir curiosidades sobre o acervo e consultar diretamente os documentos.
Também são partilhadas histórias sobre o Banco de Portugal, contadas em vídeo pelos arquivistas do Banco. Os visitantes podem, assim, ficar a conhecer episódios marcantes dos 180 anos de história da instituição: o nascimento do Banco, a criação das agências e delegações regionais, o surgimento das notas, as primeiras mulheres ao serviço do Banco, o leilão das joias da rainha D. Maria Pia, o caso Alves Reis ou os milhões guardados no Chiado durante a Segunda Guerra Mundial». Saiba mais.
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quarta-feira, 18 de março de 2026

NA SENDA DE UMA CAUSA | REINVENÇÃO DO ENSINO E APRENDIZAGEM PARA AS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS - EM GESTÃO PÚBLICA | revisitemos 1976 - o Decreto-Lei 327/26 de 8 de Maio

 


Para quem visita este blogue saberá que germinou no curso do ISCAL «Contabilidade e Administração/ramo Gestão e Administração Pública». Não será novidade o nosso pensamento sobre o ensino e aprendizagem para a GESTÃO PÚBLICA das diferentes ADMINISTRAÇÕES neste século XXI. Tem de ser reinventado.  Hoje participámos numa «conversa» sobre a MEMÓRIA DO ISCAL. E neste  ambiente do que ACONTECEU ANTES DE NÓS trazemos para aqui o Preâmbulo do Diploma acima. A nosso ver, um marco. Já agora, o que se herdou do antes da Revolução foi uma ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA, caminhar para uma ADMINISTRAÇÃO GESTIONÁRIA foi o que agora se diria uma enorme ruptura ... Por mais estranho que pareça, com gente que tinha sido exilada política e que tinha aprendido «lá fora» aprendemos e praticamos a ORÇAMENTAÇÃO POR PROGRAMAS ... Mais, até veio uma EQUIPA de França que nos mostrou como faziam.  Ah, ainda guardamos a documentação que nos disponibilizaram.



quinta-feira, 12 de março de 2026

«Can Capitalism Be Transformed Before It Is Too Late?»

 



«A fascinating study of the legal underpinnings of capitalism, reasons why the system must be transformed, and actions we can take
 
Even though capitalism has been conventionally described as an economic system, it is actually a deeply entrenched legal regime. Law provides the material for coding simple objects, promises, and ideas as capital assets. It also provides the means for avoiding the legal constraints that societies have frequently imposed on capitalism. Often lauded for creating levels of wealth unprecedented in human history, capitalism is also largely responsible for the two greatest problems now confronting humanity: the erosion of social and political cohesion, which undermines democratic self-governance, and the threats that emanate from climate change.
 
By exploring the ways that Western legal systems empower individuals to advance their interests against society, Katharina Pistor reveals how capitalism is an unsustainable system designed to foster inequity. She offers ideas for rethinking how the transformation of the law and the economy can help us create a more just system—before it is too late».

Sobre o livro esta entrevista:


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Com frequência visitamos o site da Columbia University, e mais recentemente fizemo-lo 
seguindo o alerta a que se refere este post do blogue ORGANIZAÇÕES VERDES: «Can capitalism solve climate change?». E nestas deambulações paramos no livro acima. O que podemos acrescentar?, encontramos bons pontos de partida para os debates que convocam que talvez possamos também sintetizar deste modo: ESTÁ O CAPITALISMO SITIADO?  



sexta-feira, 6 de março de 2026

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES 2026 | assinalemos o «8 de março» lembrando (sabendo-se que há quem o desconheça) que existe a CIG - Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género | E NO PRÓXIMO DOMINGO TEMOS A MANIFESTAÇÃO NACIONAL ORGANIZADA PELO HISTÓRICO MDM - MOVIMENTO DEMOCRÁTICO DE MULHERES | AH E TEMOS TAMBÉM A PRIMEIRA EDIÇÃO DO «FESTIVAL MULHERES EM MARCHA»

 

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e queremos ainda assinalar 
o FESTIVAL «MULHERES EM MARCHA»


«FESTIVAL MULHERES EM MARCHA |«Mulheres em Marcha nasce no Seixal, na Margem Sul, e afirma-se como o primeiro festival de artes performativas de cariz feminista neste território. Não como rótulo, mas como campo de trabalho onde a criação artística se cruza com o pensamento crítico e com o contexto em que emerge, em diálogo com as pessoas que o habitam. Pensamo-lo com periodicidade bienal, porque acreditamos no tempo longo, na insistência e na possibilidade de regresso transformado.» |7 A 20 MARÇO | ENTRADA GRATUITA» - veja através daqui.


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Rematando, a «Igualdade entre homens e mulheres» é assunto que não pode ser ignorado no ensino e aprendizagem. Alguns 3APS se lembrarão que no ramo GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA uma das alternativas de Trabalho de unidade curricular era precisamente sobre esta problemática. Mais, quando
se estudava o «RELATÓRIO INTEGRADO» na esfera do DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL lá estava também, nomeadamente  «reclamado» pelo tão propalado «ESG».


quinta-feira, 5 de março de 2026

«MANIFESTO: CIENTISTAS CONTRA A GUERRA. PELA PAZ, COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO»





Começa assim: «Vivemos tempos difíceis e perigosos neste nosso planeta, único corpo celeste natural onde se tem conhecimento da existência de vida. Como mulheres e homens de ciência, conhecemos o impacto do conhecimento científico sobre a sociedade, as vidas de cada um de seus membros e sobre a natureza em geral. Sabemos que a ciência é uma faca de dois gumes que nos remete ao simbolismo bíblico da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Os avanços da ciência fundamental se traduziram no acelerado desenvolvimento tecnológico que se acentua a partir de meados do século passado e prossegue em nossos dias. A posse de novos meios para se impor pela força, veio exacerbar a competição entre interesses poderosos que determinam o posicionamento dos Estados-nação na arena internacional na busca pelo controle de territórios e recursos naturais. (...)». Continue.


É SOBRE CULTURA E ARTE |«The tenth edition of The Art Basel and UBS Global Art Market Report by Arts Economics will be published on March 12, 2026. This benchmark report analyses the global art market in 2025, placing its performance within the wider economic and wealth context»| E TUDO ISTO PARA EM ESPECIAL RELEMBRAR A ACADEMIA PORTUGUESA DO ÂNGULO DA ECONOMIA E GESTÃO DO SETOR CULTURA ...

 


«The tenth edition of The Art Basel and UBS Global Art Market Report by Arts Economics will be published on March 12, 2026. This benchmark report analyses the global art market in 2025, placing its performance within the wider economic and wealth context. Reviewing key sectors including galleries and dealers, auction houses and art fairs, it offers the most comprehensive, data-led overview of the forces shaping today’s art market and the dynamics that defined its trajectory in 2025. Written by cultural economist Dr. Clare McAndrew, founder of Arts Economics, and co-published by Art Basel and UBS». Saiba mais.

E aproveitemos para lá - aqui -  olhar e ... ver - em “Cezanne” at the Fondation Beyeler:


 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

CIÊNCIA E TECNOLOGIA | INVESTIGAÇÃO E INOVAÇÃO | com o devido respeito (mas para que as pessoas lá em casa percebam como dizem os comentadores) parece que anda o carro à frente dos bois ... | PRIMEIRO TEMOS DIPLOMA ORGÂNICO E DEPOIS É QUE SE VAI SABER PARA QUÊ ? | VEM A PROPÓSITO PORQUE «O GOVERNO LANÇA DEBATE NACIONAL PARA DEFINIR PRIORIDADES NACIONAIS DE INVESTIGAÇÃO E INOVAÇÃO» | CLARO JÁ HÁ REAÇÕES FAZENDO SENTIDO QUE CONTEM PARA O «DEBATE» | OU SERÁ QUE NÃO?









As imagens acima, e onde nos levam, será suficiente para falarmos sobre o(s) assunto(s) que convocam. Para começarmos afirmar que acreditamos na CIÊNCIA, na TÉCNICA, e no TREINO.  E assim sendo a «perguntinha» que se impõe: qual o quadro de referência subjacente ao que o Governo nos apresenta?, acima ilustrado.  Por maior força de razão quando o  organizador é  «Investigação e Inovação». Temos de acreditar que a ABORDAGEM SISTÉMICA está presente - ciência, com técnicas e ferramentas decorrentes fabulosas para as ORGANIZAÇÕES E A SUA GESTÃO. Necessariamente para a «Agência AI2». Já agora, para início de conversa até gostávamos de saber qual o conceito de AGÊNCIA - será apenas «copianço» do que se passa lá fora? Não pode ser tida como palavra corrente, tem de ter significado técnico. É verdade, as interrogações iniciais são mais que muitas, e das nucleares esta: a investigação só se justifica se levar a inovação? «Imediata» como parece emergir do que se vai lendo.
Depois, já a um outro nível,  quais os modelos seguidos que levaram à opção EPE e à ORGÂNICA fixada no Decreto-Lei acima? E ainda que mal se pergunte, como se justifica que primeiro venha o diploma orgânico e só agora se entre na discussão de «prioridades estratégicas» e, claro, de forma natural, de tudo o que lhe é adjacente? Há uma questão que sempre se coloca quando se ensina e aprende estas matérias: ESTRUTURAS (ORGÂNICAS) PARA QUÊ? E já lá vai o tempo em que a ESTRUTURA não era vista como SISTEMA. SISTEMA ABERTO. Mas de há muito que está presente no proposto por autores de referência - seja para as ORGANIZAÇÕES todas ou para as EMPRESAS: a ESTRUTURA interdependente dos demais SISTEMAS e necessariamente do CONTEXTO (MACROSISTEMA) - do geral ao especifico. Apenas ilustrando com o que estava «à mão», tipo brinde,  exemplificando com o mundo dos negócios que nos parece atravessar o que nos é disponibilizado pelos «Poderes» em exercício : 

os célebres 7S - modelo centrado nas empresas, 
mas há mais, para as outras organizações,
 e para quem esteja longe destas
matérias a ESTRUTURA sempre presente, ao mesmo
tempo que o demais... 
 


É evidente que em vez de estarmos a blogar desta forma podíamos fazê-lo doutra e cair na ratoeira (e no mau gosto) de comentar com furor aspetos particulares que não faltam do diploma Orgânico da AI 2 -  mas como já se percebeu, como vem nos livros e a experiência mostra, temos de  nos acertarmos nos pressupostos - e isso, a nosso ver, não está realizado. Ou seja, o problema é anterior ao institucionalizado em Diário da República:  há que ter um PONTO DE PARTIDA COMUM sobre o TODO, parecendo-nos que sem isso qualquer DIÁLOGO digno desse nome que agora se quer promover estará comprometido à partida.   E também não é nosso hábito desmontar trabalhos na praça pública. Ainda assim, só a titulo de exemplo: ai, aquele preâmbulo; e onde está a «visão» já que falam em «missão»; e os «valores» partilhados; e os Perfis dos Dirigentes; e o calendário para que tudo aconteça; e até o diploma ter sido publicado a 24 de dezembro; e há que discutir «sinergias»; e ...
Ainda, tenhamos presente a agitação que as iniciativas do Governo aqui em causa tem provocado, e reparemos,  nomeadamente, nos excertos seguintes do Preambulo do Diploma orgânico, e no que nos diz a comunicação no Portal do Governo sobre o «Debate Nacional»: 


excerto do diploma

excerto do texto


Dizem - nos, de forma repetida, o que as imagens nos mostram, mas tudo seria resolvido tecnicamente se nos mostrassem como trabalharam os STAKEHOLDERS. Mais, é que pelos vistos há quem tenha sido esquecido. E parece não estarmos a exagerar que qualquer MUDANÇA exige antes do diploma  ESTUDO onde tudo seja equacionado... Afinal, e pegando nas lógicas dos Governantes, quais os INDICADORES em presença? No que se refere a EFICIÊNCIA, a EFICÁCIA, e obviamente à SATISFAÇÃO DA SOCIEDADE. Não pode ser «prognósticos só no fim do jogo».

Bem, impossível esquecer o PARADIGMA  DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Por acaso no diploma da AI2, logo no segundo parágrafo do Preâmbulo, até se lê isto (os destaque são nossos): «
Numa época em que a ciência, a investigação e a inovação assumem um papel cada vez mais decisivo na resposta aos grandes desafios e oportunidades atuais — nomeadamente, o envelhecimento demográfico, as alterações climáticas, as transições digital e energética, as mudanças tecnológicas e geopolíticas com implicações para a segurança e a competitividade — , torna-se imperativo dotar o país de uma nova entidade que promova o investimento em investigação fundamental e uma ligação mais eficaz entre a investigação e a inovação, com mais impacto social, cultural, ambiental e económico e, consequentemente, na melhoria das condições de vida dos cidadão». 
Mas acaba por ser «redação» - dito doutra maneira, «adorno» sem reflexo no corpo do Decreto-Lei. Ah, e naquela formulação esquece-se a «governança». Um «boneco» dá sempre jeito:


Nesta atmosfera, outra pergunta que não nos larga: o que diz a tudo isto o Senhor «Ministro das Reformas»?

Aqui chegados, e já o adiantamos noutras ocasiões - noutros diálogos - em termos de síntese, com o devido respeito por profissionais envolvidos, e bastará o que vimos relatando, em consciência a nossa avaliação vai nesta direção:  estamos perante «um mau diploma». E talvez a falha comece no facto de uma orgânica antes de ser «do direito» é «da gestão» ... No caso de GESTÃO PÚBLICA.  E neste particular é de revisitar o célebre ensaio TUDO ESTÁ EM TUDO  da saudosa  Maria de Lurdes Pintasilgo 

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O «diálogo», aqui em análise, não pode estar arredado das diversas  maneiras de ver, ouvir e ler o que se passa no MACROSISTEMA de qualquer iniciativa INSTITUCIONAL. Por esse mundo fora até já há categorias: a  COLABORATIVA para os digamos «coletivos» e a PARTICIPAÇÃO para os «individuais». Neste quadro, fomos em busca do que a IA já captou. Ficámo-nos pelo que primeiro encontramos: 


 

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e do que diz o PCP, bem esclarecedor

 



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Quem profissionalmente já esteve envolvido em PROCESSOS desta natureza, concordará que ao querer-se a colaboração e a participação de responsáveis, implicados, e interessados, como parece ser o PROPÓSITO DO GOVERNO com este seu DEBATE NACIONA, serôdio,  não o poderá fazer - e recorrendo a expressão popular - tipo «DAR AZEITONAS PARA A EMPADA DA VIZINHA». Cada contributo, da grande reflexão à vivência «em pequenas coisas», tem de sentir que está  a «CONSTRUIR UMA CATEDRAL» imagem (parece que real) tão divulgada.

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E terminemos com estas ideias:

- É prioritário investigar para inovar, em torno da GESTÃO PÚBLICA. Acabar com a ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA como nos prometeram. O que se registou neste post parece-nos argumentação suficiente para se ir em frente...

- Outra prioridade há muito identificada está centrada na CULTURA E ARTES. Nas suas ORGANIZAÇÕES. Mas para isso é revisitar esta iniciativa:


E ao que aconteceu no IPL - Instituto Politécnico de Lisboa ...

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E como a procissão ainda irá no adro, até já ! sobre esta Problemática ...



sábado, 21 de fevereiro de 2026

PARA A «MEMÓRIA DO ISCAL» E NÃO SÓ | CARLOS BRITO | «Carlos Brito olha preocupado, da sua varanda sobre o Guadiana, para a atualidade do país e do mundo e a situação ambiental do planeta.» | « A sua atividade literária principiou em Lisboa, quando já frequentava o Instituto Comercial (atual ISCAL) onde, com outros jovens, organizou recitais e colaborou em vários jornais e revistas»

 


SINOPSE
Aos 90 anos, Carlos Brito olha preocupado, da sua varanda sobre o Guadiana, para a atualidade do país e do mundo e a situação ambiental do planeta. Não se remete a uma atitude contemplativa, persiste em estar presente e intervir, o que se reflecte nos seus versos, críticos e apelativos.
No texto poético que nos apresenta, cheio de imagens, metáforas e alegorias, também transparecem as angústias da idade: a doença, a solidão, a decrepitude, a morte. Mas são as palavras natureza, paz, amor e ir em frente, as mais marcantes, neste seu sétimo livro de poesia.

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Carlos Brito nasceu em 1933, em Moçambique. Veio para Portugal com três anos de idade. Viveu com a família, a infância e parte da juventude, em Alcoutim, no Algarve. A sua atividade literária principiou em Lisboa, quando já frequentava o Instituto Comercial (atual ISCAL) onde, com outros jovens, organizou recitais e colaborou em vários jornais e revistas. Aos 20 anos foi preso pela PIDE, pela primeira vez. Voltou a ser preso mais duas vezes, tendo cumprido um total de oito anos de prisão. Em 1967 passou a participar na direção do Partido Comunista Português. No dia 25 de abril de 1974 estava em Lisboa, clandestino, e era responsável pela organização partidária na capital. Em 1975 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte pelo Algarve. De 1976 a 1991 exerceu sem interrupção o mandato de deputado, tendo desempenhado durante quinze anos as funções de presidente do Grupo Parlamentar do PCP. Em 1980 foi candidato à Presidência da República. Entre 1992 e 1998 foi diretor do jornal Avante!. Em 1997, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2004, com a Ordem da Liberdade (Grande-Oficial). Tem colaboração dispersa em várias publicações nacionais e estrangeiras. Publicou até hoje nove livros, todos após ter deixado de ser deputado. (o destaque é nosso).

« (...) Os resultados sugerem que, mesmo sem imposição direta por parte das organizações, os profissionais tendem a trabalhar mais quando têm acesso a ferramentas de IA: assumem novas tarefas, prolongam o horário laboral e mantêm uma ligação quase contínua ao trabalho (...)»

 


e sobre a Investigação  no semanário
 Expresso desta semana de Cátia Mateus:


de lá:

«(...) Os resultados sugerem que, mesmo sem imposição direta por parte das organizações, os profissionais tendem a trabalhar mais quando têm acesso a ferramentas de IA: assumem novas tarefas, prolongam o horário laboral e mantêm uma ligação quase contínua ao trabalho. O aumento inicial de produtividade pode parecer uma vantagem, mas levanta novas questões sobre a fadiga cognitiva e o impacto da tecnologia.

Riscos de aceleração

“A nossa investigação revela os riscos de deixar o trabalho expandir-se e acelerar informalmente”, apontam as autoras no artigo publicado na “HBR”, acrescentando que “o que parece maior produtividade no curto prazo pode esconder um aumento silencioso da carga e uma tensão cognitiva crescente à medida que os colaboradores gerem múltiplos fluxos de trabalho assistidos por IA”.

“Como a IA pode colmatar lacunas de conhecimento, os profissionais passaram progressivamente a assumir responsabilidades que anteriormente pertenciam a outros”, apontam ainda. Gestores de produto e designers começaram a escrever código, investigadores assumiram tarefas de engenharia e muitos trabalhadores “tentaram realizar trabalhos que antes teriam externalizado, adiado ou mesmo evitado”.

Em paralelo, como a IA simplificou tarefas, muitos colaboradores observados pelas investigadoras começaram a realizar pequenas quantidades de trabalho em momentos que antes seriam de pausa. “Utilizavam prompts durante o almoço, em reu­niões ou enquanto aguardavam que um ficheiro carregasse”, apontam. Estas ações, que não eram encaradas pelos profissionais como mais trabalho, “resultaram num dia com menos pausas naturais e uma ligação mais contínua ao trabalho”.

Outro resultado direto do uso de IA é o chamado “efeito multitarefa” (multitasking). Os trabalhadores passaram a ter um vasto conjunto de tarefas abertas em simultâneo e por concluir, “aumentando a carga cognitiva e a sensação de estar sempre a gerir várias coisas ao mesmo tempo, mesmo quando o trabalho parecia produtivo”, argumentam as investigadoras.

Várias investigações apontam para a existência de diferentes perfis de utilizadores de IA em contexto profissional, confirmando que nem todos tiram partido da tecnologia no sentido de um alívio da sua carga laboral (ver caixa). Para as autoras do estudo, “a IA acelerou certas tarefas, o que aumentou as expectativas de rapidez, e essa maior rapidez tornou os trabalhadores mais dependentes da IA, expandindo a quantidade e densidade do trabalho”. Entre os participantes, “muitos referiram que, embora se sentissem mais produtivos, não se sentiam menos ocupados”. (...)».