sábado, 21 de fevereiro de 2026

PARA A «MEMÓRIA DO ISCAL» E NÃO SÓ | CARLOS BRITO | «Carlos Brito olha preocupado, da sua varanda sobre o Guadiana, para a atualidade do país e do mundo e a situação ambiental do planeta.» | « A sua atividade literária principiou em Lisboa, quando já frequentava o Instituto Comercial (atual ISCAL) onde, com outros jovens, organizou recitais e colaborou em vários jornais e revistas»

 


SINOPSE
Aos 90 anos, Carlos Brito olha preocupado, da sua varanda sobre o Guadiana, para a atualidade do país e do mundo e a situação ambiental do planeta. Não se remete a uma atitude contemplativa, persiste em estar presente e intervir, o que se reflecte nos seus versos, críticos e apelativos.
No texto poético que nos apresenta, cheio de imagens, metáforas e alegorias, também transparecem as angústias da idade: a doença, a solidão, a decrepitude, a morte. Mas são as palavras natureza, paz, amor e ir em frente, as mais marcantes, neste seu sétimo livro de poesia.

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Carlos Brito nasceu em 1933, em Moçambique. Veio para Portugal com três anos de idade. Viveu com a família, a infância e parte da juventude, em Alcoutim, no Algarve. A sua atividade literária principiou em Lisboa, quando já frequentava o Instituto Comercial (atual ISCAL) onde, com outros jovens, organizou recitais e colaborou em vários jornais e revistas. Aos 20 anos foi preso pela PIDE, pela primeira vez. Voltou a ser preso mais duas vezes, tendo cumprido um total de oito anos de prisão. Em 1967 passou a participar na direção do Partido Comunista Português. No dia 25 de abril de 1974 estava em Lisboa, clandestino, e era responsável pela organização partidária na capital. Em 1975 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte pelo Algarve. De 1976 a 1991 exerceu sem interrupção o mandato de deputado, tendo desempenhado durante quinze anos as funções de presidente do Grupo Parlamentar do PCP. Em 1980 foi candidato à Presidência da República. Entre 1992 e 1998 foi diretor do jornal Avante!. Em 1997, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2004, com a Ordem da Liberdade (Grande-Oficial). Tem colaboração dispersa em várias publicações nacionais e estrangeiras. Publicou até hoje nove livros, todos após ter deixado de ser deputado. (o destaque é nosso).

« (...) Os resultados sugerem que, mesmo sem imposição direta por parte das organizações, os profissionais tendem a trabalhar mais quando têm acesso a ferramentas de IA: assumem novas tarefas, prolongam o horário laboral e mantêm uma ligação quase contínua ao trabalho (...)»

 


e sobre a Investigação  no semanário
 Expresso desta semana de Cátia Mateus:


de lá:

«(...) Os resultados sugerem que, mesmo sem imposição direta por parte das organizações, os profissionais tendem a trabalhar mais quando têm acesso a ferramentas de IA: assumem novas tarefas, prolongam o horário laboral e mantêm uma ligação quase contínua ao trabalho. O aumento inicial de produtividade pode parecer uma vantagem, mas levanta novas questões sobre a fadiga cognitiva e o impacto da tecnologia.

Riscos de aceleração

“A nossa investigação revela os riscos de deixar o trabalho expandir-se e acelerar informalmente”, apontam as autoras no artigo publicado na “HBR”, acrescentando que “o que parece maior produtividade no curto prazo pode esconder um aumento silencioso da carga e uma tensão cognitiva crescente à medida que os colaboradores gerem múltiplos fluxos de trabalho assistidos por IA”.

“Como a IA pode colmatar lacunas de conhecimento, os profissionais passaram progressivamente a assumir responsabilidades que anteriormente pertenciam a outros”, apontam ainda. Gestores de produto e designers começaram a escrever código, investigadores assumiram tarefas de engenharia e muitos trabalhadores “tentaram realizar trabalhos que antes teriam externalizado, adiado ou mesmo evitado”.

Em paralelo, como a IA simplificou tarefas, muitos colaboradores observados pelas investigadoras começaram a realizar pequenas quantidades de trabalho em momentos que antes seriam de pausa. “Utilizavam prompts durante o almoço, em reu­niões ou enquanto aguardavam que um ficheiro carregasse”, apontam. Estas ações, que não eram encaradas pelos profissionais como mais trabalho, “resultaram num dia com menos pausas naturais e uma ligação mais contínua ao trabalho”.

Outro resultado direto do uso de IA é o chamado “efeito multitarefa” (multitasking). Os trabalhadores passaram a ter um vasto conjunto de tarefas abertas em simultâneo e por concluir, “aumentando a carga cognitiva e a sensação de estar sempre a gerir várias coisas ao mesmo tempo, mesmo quando o trabalho parecia produtivo”, argumentam as investigadoras.

Várias investigações apontam para a existência de diferentes perfis de utilizadores de IA em contexto profissional, confirmando que nem todos tiram partido da tecnologia no sentido de um alívio da sua carga laboral (ver caixa). Para as autoras do estudo, “a IA acelerou certas tarefas, o que aumentou as expectativas de rapidez, e essa maior rapidez tornou os trabalhadores mais dependentes da IA, expandindo a quantidade e densidade do trabalho”. Entre os participantes, “muitos referiram que, embora se sentissem mais produtivos, não se sentiam menos ocupados”. (...)».

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

«JOÃO SALGUEIRO - Planeamento, Política e Economia»

 

SINOPSE
«Este livro constitui uma coletânea de textos de João Salgueiro, publicados ao longo de mais de 50 anos, sobre temas relevantes na sua vida profissional e nos seus interesses: o planeamento, a política, a SEDES, a banca, o processo de integração europeu e a maior globalização. Permite-nos assim revisitar acontecimentos que deram origem a mudanças profundas na economia e na sociedade portuguesas, através do olhar de um dos seus protagonistas, particularmente crítico e lúcido. A clareza da exposição, a capacidade de análise prospetiva, a importância que atribui à intervenção cívica na reflexão sobre questões de interesse nacional e a preocupação com o fraco crescimento da economia portuguesa estão patentes ao longo do livro». Saiba mais.

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e é de não perder no jornal Público


Começa assim:«Numa entrevista ao PÚBLICO, Emílio Rui Vilar e Rita Bessone Basto recordam “a permanente preocupação em preparar a sociedade portuguesa para os bloqueios e para a necessidade de antecipar os problemas”. Defendia que “mesmo um país pequeno pode vencer a dependência” dos seus vizinhos maiores e “escolher o seu futuro”, se tiver ambição. Sobre o actual momento político, marcado pelos 33% de apoio à candidatura presidencial de André Ventura, Vilar considera que “ter partido quando partiu poupou-o à tristeza de ver o que está a acontecer”. (...)».


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

«60 anos do golpe, 50 anos da revolução. Democracia em disputa em Brasil e Portugal»

 


«60 anos do golpe, 50 anos da revolução. Democracia em disputa em Brasil e Portugal AAVVAndré Vianna DantasCátia GuimarãesManuel Loff

Se o crescimento mundial da extrema direita é um sintoma nada desprezível da crise das democracias liberais, é igualmente verdade que esse fenômeno tem raízes anteriores, que remetem tanto às lutas de classes internas a cada país quanto à hegemonia neoliberal que marca a fase atual do capitalismo, com expressões em todos os aspectos da vida e do planeta. Esse é o mote que alinhava os 12 artigos do livro 60 anos do golpe, 50 anos de Revolução: democracia em disputa em Brasil e Portugal, que acaba de ser publicado por uma parceria entre a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e a editora Expressão Popular, com organização de André Dantas, Cátia Guimarães e Manuel Loff. A coletânea, de 483 páginas, reúne textos de 14 pesquisadores que vivem e atuam nos dois países.
Tomando como marco o cinquentenário da Revolução dos Cravos, que encerrou uma longa ditadura em Portugal, e o 60º aniversário do golpe empresarial-militar que instituiu uma também longa ditadura no Brasil, o objetivo da obra é atualizar o debate sobre a democracia que resultou nos dois países, analisando as diferenças do passado recente para responder aos dilemas comuns do presente. O livro é dividido em três partes, que discutem a “crise da democracia e o assalto da extrema direita ao poder”; a “batalha das ideias” como estratégia de disputa política no passado e no presente; e a “expressão das formas democráticas” nas políticas sociais desenvolvidas em Brasil e Portugal, trazendo dados e análises concretas sobre as áreas de Trabalho, Educação e Saúde» Saiba mais.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

DEPOIS DO ESTRONDO PROVOCADO PELOS VENTOS E CHEIAS | que se reinvente o «Aparelho Estatal» com «conceito», «técnica», e «intuição» - e «plano» e «programas» | SEGUINDO O NOVO PARADIGMA «DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL» ONDE AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS ...

 

Formulação do DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
 (SUSTENTABILIDADE ou VERDE)


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de lá, este destaque:


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De lá, o sublinhado é nosso:

«(...) Por outro lado, quando o jovem engenheiro Jorge o questionou na plateia sobre a burocracia e a resistência à mudança no Estado, o favorito à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa desferiu um duro golpe aos custos de contexto, que atingiram o nível mais alto em dez anos e são queixa recorrente dos empresários portugueses. “O Estado, que devia ser um aliado, é o castrador de quem quer investir. Cria prazos e processos a que não consegue responder em tempo útil. Pede sempre mais um papel na sua inércia e incompetência. Se fosse possível fazer uma auditoria para eliminar as burocracias, isso seria muito útil”, resumiu. Na linha do que os patrões exigem ao Governo, que “passe das palavras aos atos” e vá “mais longe” na reforma do Estado, o candidato apoiado pelo PS defendeu que esta tarefa não se pode ficar apenas pela extinção ou fusão de organismos, que os resultados precisam de ser avaliados (“isto não vai lá por caprichos”) e que é preciso “introduzir uma disrupção no Estado para ser mais eficiente”. Lembrando que a função pública tem 700 mil pessoas, frisou que “fazer esta adaptação a uma nova cultura vai demorar tempo, por isso tem de começar já”. (...)».

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Leia no jornal Público

Excerto (o destaque é nosso) : «(...)   PCP saúda “derrota” de Ventura, mas avisa Seguro de que não pode ser “suporte” da AD Contudo, avisam que estas respostas "não apagam as questões de fundo", ou seja, que é necessário combater a "privatização de sectores estratégicos, como da energia e das telecomunicações" ou o "desmantelamento de estruturas do Estado e a degradação dos serviços públicos".(...)». Saiba mais.

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Fernando Ribeiro,  vocalista do Moonspell, participou no Forum a que se refere a imagem, e à volta do que havia a fazer referiu «ouvir o Forum da TSF». Estamos de acordo, e daí o trazermos para este post ... 

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Começamos a pensar que depois das tragédias que abalam o Pais, a questão da reinvenção do Aparelho Estatal do nosso País vai finalmente ocupar as agendas de todos. Que o PARADIGAMA DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL vai ser adotado. Que a objetiva ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA DO ATUAL GOVERNO vai mudar para a ADMINISTRAÇÃO GESTIONÁRIA e a GESTÃO PÚBLICA ensinada e aprendida com qualidade acrescida. 
O que acima se assinala são para nós bons SINAIS ... Falta agir em conformidade. Concretizar. Em particular, entusiasmou-nos que o artigo, «A Valorização do território, a reforma do Estado e a regionalização» seja assinado por tanta gente da Academia ...



terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

«O caminho é outro: regras claras, avaliações centradas no processo, com maior peso da avaliação oral, e formação explícita em literacia de IA. Não para substituir o pensamento, mas para o exigir. Ensinar a usar a IA não é ceder, é cumprir a missão da universidade: preparar os estudantes para o mundo real»

 



E antes na apresentação do Relatório - neste endereçoGenerative AI (GenAI) is reshaping the educational landscape, beyond teaching and learning. Unlike earlier waves of education technology, much of GenAI is freely accessible and largely used beyond institutional control due to its intuitiveness and versatility. The OECD Digital Education Outlook 2026  analyses emerging research that suggests GenAI can support learning when guided by clear teaching principles. However, if designed or used without pedagogical guidance, outsourcing tasks to GenAI simply enhances performance with no real learning gains. The Outlook highlights the benefits of GenAI as a tutor, partner and assistant, and synthesises experts’ evidence and insights on the design criteria that make it work for education».

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Excertos - Começa assim: «universidade existe para formar. E formar, hoje, implica ensinar a usar — com regras, método e responsabilidade — ferramentas de inteligência artificial (IA), que fazem parte do mundo real. Muitas vezes confundem-se dois planos: o da integridade e o da literacia. Se é evidente que a universidade tem de avaliar o que o estudante sabe, temos de ter consciência de que ignorar a IA não a faz desaparecer. Apenas faz com que seja usada sem orientação, sem transparência e sem critérios. Proibir pode dar uma sensação de controlo, mas, na verdade, empurra o problema para fora da sala de aula e amplia a desigualdade: quem tiver mais literacia digital (ou mais dinheiro para aceder a melhores ferramentas) usa a IA, quem não tiver fica para trás. (...)».
Mais adiante: (...) O mercado de trabalho também não espera que a academia resolva as suas hesitações. Em setembro do ano passado, a CNBC noticiou as intenções da Accenture de dispensar os seus trabalhadores que não se consigam requalificar em IA. Já em janeiro o “The Guardian” avançou que, nas entrevistas de emprego, a McKinsey avalia a capacidade dos candidatos recém-graduados para pedir ajuda a uma máquina, como se lê criticamente a resposta e como se aplica julgamento humano para chegar a uma solução estruturada. Avaliam aquilo que as universidades devem ensinar: capacidade de formular boas perguntas, detetar falhas, justificar opções e assumir responsabilidade pelo resultado.
O mercado de trabalho também não espera que a academia resolva as suas hesitações. Em setembro do ano passado, a CNBC noticiou as intenções da Accenture de dispensar os seus trabalhadores que não se consigam requalificar em IA. Já em janeiro o “The Guardian” avançou que, nas entrevistas de emprego, a McKinsey avalia a capacidade dos candidatos recém-graduados para pedir ajuda a uma máquina, como se lê criticamente a resposta e como se aplica julgamento humano para chegar a uma solução estruturada. Avaliam aquilo que as universidades devem ensinar: capacidade de formular boas perguntas, detetar falhas, justificar opções e assumir responsabilidade pelo resultado. (...). Termina desta maneira: «O caminho é outro: regras claras, avaliações centradas no processo, com maior peso da avaliação oral, e formação explícita em literacia de IA. Não para substituir o pensamento, mas para o exigir. Ensinar a usar a IA não é ceder, é cumprir a missão da universidade: preparar os estudantes para o mundo real».

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E a quem não o está a fazer, ousamos sugerir que  na ACADEMIA em todas as ESCOLAS se discuta o que emerge do Relatório da OCDE e do artigo acima. Em especial haverá quem - nomeadamente por experiência própria, ou porque se esteve/está atento ao  que se passa à volta -  alinhe com esta  previsão: «quem tiver mais literacia digital (ou mais dinheiro para aceder a melhores ferramentas) usa a IA, quem não tiver fica para trás».  


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

«IFRS Foundation Conference 2026»

 


De entre o muito 
que podíamos destacar:

«Panel discussion: Closing the gap - Integrated reporting and value creation The session explores how companies leverage integrated reporting to drive investor engagement and demonstrate high quality governance. Plenary sessions -  11:45 - 12:30».


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de lá, por exemplo:

«Keynote: Financial reporting
 in a fragmenting world»




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

«O FENÓMENO DA CORRUPÇÃO» | a não perder «A percepção e a experiência da corrupção em Portugal» de Arlindo Oliveira no jornal Público de 2 fevereiro 2026

 



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Excertos (os destaques são nossos):


«(...) Um dos instrumentos mais conhecidos para avaliar este fenómeno é o índice de percepção da corrupção (Corruption Perceptions Index - CPI), publicado anualmente pela organização Transparency International. O CPI não mede casos concretos de corrupção, mas sim a percepção da corrupção no sector público, tal como avaliada por especialistas, analistas de risco e empresários, a partir da agregação de múltiplas fontes independentes. O índice atribui a cada país uma pontuação numa escala normalizada, permitindo comparações internacionais e a análise de tendências ao longo do tempo. A sua utilidade reside sobretudo em captar dimensões estruturais e sistémicas da corrupção, como a eficácia das instituições, a aplicação das regras do Estado de direito ou a transparência dos processos decisórios. Portugal aparece, em 2024, no 43º lugar neste índice, entre 180 países, uma posição que geralmente é vista como insatisfatória.
(...)

Complementarmente, o barómetro global da corrupção (Global Corruption Barometer - GCB) foca-se mais na experiência directa dos cidadãos. Baseado em inquéritos de opinião pública, o GCB recolhe dados sobre a frequência com que as pessoas contactam os serviços públicos, se lhes foi pedido ou se pagaram subornos, e qual a sua avaliação do desempenho das instituições no combate à corrupção. Ao contrário do CPI, que reflecte essencialmente a percepção, o GCB oferece uma visão de baixo para cima, mais próxima do quotidiano dos cidadãos e das suas experiências nas suas interacções com o Estado.

Em conjunto, estes dois instrumentos fornecem uma leitura mais rica e equilibrada do fenómeno da corrupção. O índice CPI ajuda a compreender o enquadramento institucional e a reputação interna e internacional dos países, enquanto o barómetro GCB mede como a corrupção é vivida e sentida, na realidade, pela população. No índice CPI a corrupção é medida numa escala contínua de 0 a 100, em que 0 corresponde a um nível muito elevado de percepção da corrupção e 100 a um nível muito baixo desta mesma percepção. Esta pontuação resulta da agregação e normalização de várias fontes independentes baseadas em avaliações de especialistas e agentes económicos, permitindo comparações consistentes entre países e ao longo do tempo. O barómetro GCB não utiliza uma escala única, mas múltiplas escalas baseadas em inquéritos à população, tipicamente expressas em percentagens. Usa, por exemplo, a proporção de cidadãos que pagaram subornos ou escalas ordinais do tipo Likert (desde “nada corrupto” a “extremamente corrupto”) para avaliar experiências directas e atitudes observadas face à corrupção.
(...)
As conclusões desta análise, que pode ser feita por qualquer pessoa ou entidade que aceda e processe os dados publicados pela organização Transparency International, são muito interessantes. De todos os países da OCDE, Portugal é aquele onde existe uma maior divergência entre a percepção que existe da corrupção e a experiência directa do fenómeno. Portugal tem, objectivamente, baixos níveis de corrupção, traduzidos por poucos subornos em todas as áreas, forte profissionalização da burocracia e extensa digitalização dos serviços de atendimento ao público. A percepção da corrupção é sobretudo moldada por fenómenos de corrupção de topo e impunidade das elites, pelos media, pelos discursos políticos e pelos maus resultados do sistema judicial, e não pela experiência directa e quotidiana dos cidadãos. Os índices de percepção, como o CPI ou outros, acabam por ser dominados por crenças erróneas e generalizadas relativas à corrupção dos políticos, à influência exercida a alto nível, aos processos de contratação pública e às relações entre o Estado e o sector privado. Em Portugal, estas crenças são reforçadas por um padrão muito específico: a existência de muitas investigações com elevada visibilidade que contrastam com um número reduzido de conclusões claras e atempadas de processos.

O paradoxo Português reside no facto de o país funcionar quotidianamente como um Estado de elevada integridade, ao mesmo tempo que existe uma percepção de um baixo nível de integridade no que respeita à responsabilização das elites. Os índices de percepção de corrupção atribuem um peso muito maior a esta segunda dimensão, o que ajuda a explicar a divergência observada. A redução desta discrepância não depende de mais legislação ou de novas abordagens, mas sobretudo de melhorias na velocidade dos processos judiciais, em particular nos casos mais mediáticos, da existência de desfechos claros, da maior selectividade na abertura de processos e de uma comunicação institucional eficaz que explique arquivamentos e absolvições. Enquanto estes factores não forem endereçados, Portugal continuará a ser empiricamente pouco corrupto, mas reputacionalmente marcado por elevados níveis de desconfiança. A identificação desta divergência poderá servir de base a políticas públicas mais eficazes, que não só reduzam os níveis reais de corrupção como os níveis de percepção da mesma».

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Certamente que já o dissemos, em mais do que um momento,  sempre que lemos ou ouvimos o Professor Arlindo Oliveira temos «inveja boa» de quem foi seu aluno/a. Mais recentemente «não perdemos» o que diz em torno da Inteligência Artificial - naturalmente quando o faz «para todos», ou seja, quando os destinatários não são apenas os especialistas. A nosso ver, o artigo acima está nessa categoria. Mais claro, difícil ... E é neste quadro que lá encontramos «encosto» para insistirmos no que a ciência/técnica GESTÃO PÚBLICA tem para dar em direção a  «políticas públicas mais eficazes, que não só reduzam os níveis reais de corrupção como os níveis de percepção da mesma»: em especial, implementar em todo o APARELHO ESTATAL  a «orçamentação por programas» e o «relatório integrado», não de «maneira cega» mas assumindo-se que as ORGANIZAÇÕES são «TODAS IGUAIS, TODAS DIFERENTES». Alô Academia, para isso é fundamenta ensinar e aprender a «teoria» e a «prática» daqueles modelos... Ah, não esquecer o que já aconteceu no País. Ainda, na circunstância cumpre-se, qual fatalidade, até há legislação espalhada pelos Diários da República. E o Senhor Ministro das Finanças até falou no orçamento - programa, a propósito do OE 2026... Recordemos, por exemplo, estes posts - é só clicar:

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

«GESTÃO PÚBLICA» | a propósito da Depressão Kristin ...

 


Recorrentemente temos mostrado - pelo menos tentado de maneira fundamentada - que  precisamos de refletir as nossas Administrações com vista a retomarmos a GESTÃO PÚBLICA DO SÉCULO XXI. Até temos perguntado onde é que hoje se ensina e aprende. Investiga. Temos mostrado quase de forma obsessiva   que a atual Governação contrariamente ao que anuncia pratica uma Gestão Legalista. Governa através do Diário da República, a nosso ver. Lemos as palavras acima do Senhor Presidente da República como dando força ao que diagnosticamos e nos preocupa. Muito do que vamos sabendo da tormenta que afeta o nosso Pais  - a nossa solidariedade às Pessoas em sofrimento  e às Organizações «desamparadas» - mostram os défices que nos habitam. Esperamos que a Estrutura de MISSÃO entretanto criada identifique este angulo de atuação. Não nos admira, e conforta-nos, o conhecimento sábio que vem do terreno ... Ilustremos, de um dado Concelho rapidamente recolheram rações para os animais a  doar a territórios fustigados pela tempestade  «Kristin» ...
A realidade mostra-nos que a VISÃO que norteava o trabalho de Equipas que tivemos o privilégio de integrar em trabalho público, nomeadamente autárquico, continua mobilizadora: «Saber de trabalho feito - trabalho feito de saber». ACADEMIA, estejamos à altura  dos tempos. ISCAL revive o passado distante, e o mais recente, para um próximo futuro renovado ...  Que cada um faça a sua parte! 



 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

ARTEMIS 2 |«Expedição marca a primeira etapa com astronautas do programa e leva quatro tripulantes em um sobrevoo lunar histórico, mais de 50 anos após a última missão humana ao satélite. Lançamento está previsto para o início de fevereiro, dependendo das condições do tempo»

 


E da Globo _ Ciência: 

«Artemis II: após adiamentos, Nasa se prepara para voo tripulado à Lua; saiba tudo sobre a missão» 

Disponível neste endereço.

De lá: « (...) Se bem-sucedida, a Artemis II abre caminho para a ainda mais aguardada Artemis III, missão que deve marcar o retorno de astronautas à superfície da Lua nos próximos anos, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar no satélite natural.(...)». Confessemos, paramos no destaque dado a «primeira mulher» e a «primeira pessoa negra». Satisfeita, naturalmente, pelo avanço, sem deixar de pensar no tempo que leva a que a «diversidade» seja parte «sem história» nas ORGANIZAÇÕES. E ficou a curiosidade, neste caso o que terá determinado a decisão? Certamente que é uma questão de esperarmos, mais tarde ou mais cedo o saberemos ...