quinta-feira, 8 de outubro de 2026

«Os impactos crescentes do desenvolvimento e aplicação da Inteligência Artificial (IA), sendo indissociáveis do contexto social e político em que se produzem, podem constituir promissores avanços ou, pelo contrário, inquietantes retrocessos. Para o PCP, Portugal precisa de uma estratégia nacional soberana para a IA, que contribua para aproveitar, tão plenamente quanto possível, potencialidades abertas pelo seu desenvolvimento e, simultaneamente, minimizar riscos decorrentes da sua utilização»

 



Passagem:
«(...)O PCP considera que o aumento da produtividade social do trabalho deve reverter a favor dos trabalhadores, libertando-os de tarefas penosas, repetitivas, de ritmos intensivos, e abrindo espaço para a redução do horário de trabalho e a diminuição da idade de reforma. É necessário contrariar uma utilização da IA que agrava a exploração dos trabalhadores, que degrada as condições e as relações de trabalho, desregulando horários, aumentando ritmos de trabalho, instaurando formas abusivas de vigilância dos trabalhadores. É necessário acompanhar e intervir sobre a reconfiguração de postos de trabalho e de sectores de atividade, salvaguardando o emprego e os direitos dos trabalhadores, e prevenindo novas formas de exclusão, incluindo as assentes na iliteracia digital.
No ensino, o recurso a ferramentas de IA deve ser enquadrado criticamente, ensinando a lidar com as suas limitações e enviesamentos. De outra forma, é real o risco da utilização dessas ferramentas vir a conduzir a aprendizagens pobres em raciocínio, ao conhecimento superficial, à perda de espírito crítico, ao empobrecimento cognitivo, a limitações no desenvolvimento intelectual. Num contexto de falta de professores, o PCP rejeita qualquer intenção de substituir, mesmo que parcialmente, professores por “tutores digitais” ou “plataformas inteligentes de ensino”, aprofundando a desvalorização do estatuto profissional dos professores, baixando os custos do ensino e impondo um maior controlo sobre o funcionamento das escolas.
Na esfera cultural, importa contrariar a apropriação indevida de obras protegidas por direito de autor para treinar sistemas comerciais, lucrativos, assim como a homogeneização e a colonização culturais, com algoritmos a privilegiar conteúdos padronizados, que repercutem vieses, em detrimento da diversidade de expressões culturais. (...)». Leia na integra.


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