quarta-feira, 21 de outubro de 2026

«Seu Chico»

 



e sobre a «história» a não perder os SINAIS de hoje
de Fernando Alves


Mas não resistimos a reproduzir. Encantatório! Nós que  «adoramos» Chico Buarque. Não dispensamos os SINAIS,  e gostamos de futebol - agora, em especial daquele que se joga nos relvados dos condominios  ou nos descampados dos bairros. Sim, reconhecemos o percurso feito pela INDÚSTRIA DO FUTEBOL dominado por debates e mais debates  (tantas vezes aos gritos) já insuportáveis e que nos afastam do jogo ... Daí a beleza do «Seu Chico» ...

«Apanhei a história na Folha de São Paulo e, depois, no Correio Braziliense. Mas em qualquer dessas janelas me foi acrescentado um detalhe: o caso tinha sido pescado no poço sem fundo do TikTok, onde rapidamente "viralizou". Tal informação arrasta em mim uma urticária que não será letal. Mas a história é tão boa que não resisto a dar-lhe vento na crónica, mesmo se chovo no molhado do já sabido, olha este.

A história trata do espanto que Monalisa, a cidadã Monalisa Melo, sentiu ao descobrir que seu filho jogava à bola, frequentemente, com uns cavalheiros no relvado do condomínio e que um desses cavalheiros era alguém a quem todos sublinhavam uma leve vénia no trato, um homem antigo, mais lento na profundidade, mas tão mais profundo, com tão bom toque de bola e com um sorriso tão largo que se confundia com a chamada visão de jogo e a quem todos tratavam por "seu Chico". O filho teria percebido, pela cortesia geral, que "seu Chico" ganhara uma fama proveniente de outros palcos distantes do tapete de relva onde ainda se firmava nas canetas tentando o "chute a gol / com precisão /de flecha e folha seca".

O filho de Monalisa Melo desconfiara que "seu Chico" transcendia o nome e a mesura. Sua grandeza teria de ser maior. Monalisa foi assistir a um dos jogos lá no condomínio e descobriu que aquele a quem o filho se referia como "seu Chico" era, afinal, Chico Buarque. Eis o poder de um nome: o rapaz viu, em todo o esplendor, a "paralela do impossível". Como se tivesse sido tomado pelo "sentimento diagonal/ do homem-gol", ele teve a revelação de quem não sabia que sabia. Chico é tão vasto, tão admirável, que já tínhamos sabido dele no fundo de nós mesmos, tal como ele, Chico, seu Chico, soube de Canhoteiro e de Mané antes de saber cantar "uma canção capenga". Sabias, tu, de Canhoteiro, o admirável Canhoteiro a quem Pelé venerava e a quem chamavam "Garrincha da ponta esquerda"?

Fico a imaginar seu Chico fazendo uma canção para Monalisa, mãe do rapaz que levou as mãos à cabeça como se tivesse falhado um golo de baliza aberta, perguntando-se diante das câmaras: "Como é que eu joguei à bola com esse cara?". Não lhe sabia o rapaz a magia da voz, o poder criador da música, apenas o samba que lhe nascia nos pés».

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e a «despropósito», Chico Buarque quando ainda não era «Seu Chico». Todos tão jovens ...




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e da Crónica de Fernando Alves, para quem gosta de futebol, só falar em Garrincha já vale ouro ... 
Neste momento em que a «Habitação» nos domina crónicas destas são intervalos que nos confortam e dão alento.






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